Domingo, 14 de Outubro de 2007

Manifesto da Manifesta Ingenuidade - 1ª Parte

Já não basta dizer que estamos fartos de ser reféns da canalhice vertical e hierárquica,  da adjacente e tirana tralha pseudo- progressiva da arte, de toda a aparelhagem parasitante, hipócrita, venenosa e artificial.

Daquilo em que nos transformarão, nós a nós mesmos...BREVEMENTE.

Esgotámos a nossa compaixão por quem nos raptou...o síndrome de estocolmo, esse verme esbranquiçado que devora a vontade e a inteligência, abandonou finalmente as vértebras da nossa consciência, esgotámos também a solidariedade, simultaneamente, sádica e masoquista pelo agressor, porque  já nem o vinagre nos conseguia sarar as feridas depois de tanta brutalidade auto- inflingida. 

Na verdade nunca tivémos nenhum inimigo que não nós próprios.

Somos um ninho de bactéricas, um foco de infecção, um tubo de ensaio titubeante. 

Temos uma estratégia inofensiva, porém vivíficante, de contaminação em massa.

Já de nada nos servem as infusões cerebrais de Kompensam, as overdoses privadas de filosofia , o café a cinquenta cêntimos e um golden virginia, pós-almoço/pós-moderno,  mal enrolado,  para ajudar os intelectos a digerir os excrementos de conserva, as bananas de plástico e os restantes enlatados da alta cultura e dos seus respectivos franco-atiradores pequeno -fascistas. Já nínguém se importa se temos os genitais esmagados no meio da rua, espalmados num asfalto negro e fumegante,  que os nossos belos crâneos sejam  aperitivos para os quebra-ossos.

Como podemos CRIAR assim? TRITURADOS?

 

É tempo de luto, é tempo de lamento, é tempo de colapso, é tempo da mais absoluta reclusão. Do mais profundo mergulho em salto mortal para dentro do para dentro do para dentro... de recusar toda a violência, toda a acção, todo o panfleto e todo o MANIFESTO, é tempo de suícidio, é tempo de morte-anti-morte.

É tempo de nos tornarmos aquilo que sempre fomos em potência...Humanos!

Brotaremos como cogumelos do húmus da sociedade! 

E para tal usaremos os trampolins do desejo, os corceis do sonho, os derradeiros fragmentos das utopias.

 

Não queremos exposições, não queremos manuais, não queremos descontos no metro, não queremos croissants, pães com chouriço a altas horas da madrugada, não queremos cavernas white cube, não queremos palestras de sonâmbulos, não queremos placebos... Nem queremos o oposto polar de tudo isto.

Queremos que nos devolvam o Amor e a possibilidade de ocorrência de Vida

Queremos Antígona !

Mas não, dizem-nos que a REVOLUÇÃO é uma  teta que secou há muito, que se apagou a chama da REVOLTA...mandam-nos regressar às torres de marfim que julgávamos tombadas, mandam-nos, MANDAM-NOS ! 

MANDAM-NOS !

E é isso que nos agasta...

                                                                                                       

                                                                                                        Júlio Dionísio

                                                                                                        Outubro de 2007 

 

 

 

publicado por Semeador de Favas às 14:30
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